Ao contrário da profª Eula, cujos alunos já possuem uma certa autonomia e podem assistir ao documentário sozinhos, fiz isso junto aos meus, como exercício de sensibilização, inclusive porque eles têm como tarefa escrever uma crônica e o filme pode servir como pretexto ou mesmo como reflexão para apurar o olhar, e assim, serem capazes de enxergar o que o cotidiano encarregou-se de dificultar.
Por esse motivo, vou chamar atenção ao ato de escrita de uma menina presente no documentário, a de Pernambuco, Valéria.
Adolescente de família humilde, declarou sofrer discriminação por ter esse diferencial, o de ser sensível e expressar-se por meio desse poder tão essencial e mágico que é a palavra. Essa menina mora em um município pobre, Manari, sertão de Pernambuco, precisa contar com um meio de transporte precário para cursar o ensino médio, em Inajá, porque sua cidade não oferece uma escola de Ensino médio, mas mesmo assim, demonstra em seus poemas e em seus depoimentos, a vontade de não desistir e seguir em frente. É evidente que essa não é a situação ideal para quem está em formação, porém, serve de exemplo para muitos que têm a escola como vizinha, possuem todas as condições e não encontram sentido ao, talvez, único lugar onde se relacionarão com o conhecimento.
A escrita é algo que se aprende, porém, são poucos os que enxergarão nela um meio de libertação, um meio de expressão capaz de movimentar não só o indivíduo que escreve, mas aqueles que dela se apropriarem.
Espero que Valéria continue sua trajetória e sempre encontre motivação para continuar escrevendo lindamente, mas que a adversidade de sua vida não seja mais sua motivação, e sim, a motivação venha de um mundo mais justo.
E, alunos queridos, que Valéria seja a motivação pra vocês.
Sandra
domingo, 14 de março de 2010
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