terça-feira, 2 de março de 2010

Um amor parnasiano

Vimos Olavo Bilac no 2º ano como um poeta parnasiano, preocupado coma fo(ô)rma, rima preciosa, verso perfeito, etc. Mas olhando os livros na estante, encontrei um antigo que me fez pensar mais e melhor no Príncipe. Trata-se de O NOIVADO DE BILAC, de Elmo Elton. Nele, sabe-se de uma história de amor que supera qualquer enredo. Nosso herói era muito amigo de um outro poeta, Alberto de Oliveira, cuja família morava num sítio em Niterói, RJ. Por ser extremamente simpática e amiga das artes, esta sempre recebia jovens poetas em reuniões chamadas de tertúlias, nas quais recitavam, cantavam. Foi numa dessas que Olavo se encantou com Amélia de Oliveira, irmã de Alberto. Após 4 anos de namoro resolveu pedi-la em casamento aos pais. Estes consentiram. Mas a morte do pai de Amélia é o prenúncio de desgraças vindouras. José Mariano de Oliveira, irmão de Amélia e novo chefe da família, convence a mãe que Bilac é um poeta, um boêmio que não serve para ser marido. Convencida, a matriarca proibe o noivado , pede que o noivo devolva as cartas trocadas. Desconsolados, os amantes resignam-se mas jamais se esquecem. Morrem solteiros e ainda apaixonados. Ela, amiga da irmã de Olavo, por esta fica sabendo dele. Quando já velho Olavo adoece, pede à irmã que traga o amor de sua vida para vê-lo. Amélia, recatada, não consegue mas é quem prepara a comida do doente, controla a hora do remédio, tudo sem que ele saiba, velando sua dor através da porta do quarto. Ele não resiste e morre. Durante o velório depositam uma grande coroa de flores, enfeitada de roxo e com um enorme laço de fita branca, sem nome ou dedicatória mas todos sabem quem a enviou. O travesseiro onde repousa a cabeça do poeta no caixão foi feito por Amélia, que o recheou com suas próprias tranças, guardadas desde a adolescência-um hábito da época. Também banha seu corpo com o mesmo perfume que ambos usavam. Para ficar perto do amado, Amélia se muda para uma casa mais perto do cemitério e cuidaria do túmulo até o fim dos seus dias, cobrindo-o com rosas. Transcrevo duas poesias, uma dele, que revela sua dor, e uma dela, também poeta, na qual sutil e fragilmente revela o seu sofrimento silencioso de mulher.

PRECE

Não te peço a ventura desejada

Nem os sonhos que outrora tu me deste

Nem a santa alegria que puseste

Nessa doce esperança já passada.

O futuro de amor que prometeste

Não te peço! Minha alma angustiada

Já te não pede, do impossível, nada,

Já te não lembra aquilo que esqueceste!

Nesta mágoa sorvida, ocultamente,

Nesta saudade atroz que me deixaste,

Neste pranto, que choro ainda por ti,

Nada te peço! Nada! Tão somente

Peço-te agora a paz que me roubaste,

Peço-te agora a vida que perdi!

(Amélia)

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"Maldita sejas pelo Ideal perdido!

Pelo mal que fizeste sem querer!

Pelo amor que morreu sem ter nascido!

Pelas horas vividas sem prazer!

Pela tristeza do que eu tenho sido!

Pelo esplendor do que eu deixei de ser!"

(Bilac)

Ah, love is in the air, honey!

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