Como já foi divulgado neste espaço anteriormente, os 2ºs anos tinham como atividade produzirem uma crônica e entregarem-me, inclusive para uma delas ser publicada no blog. Diante da resistência encontrada durante as aulas, tive inspiração para redigir o texto que segue abaixo:
ÚLTIMO SUSPIRO
Assim são alguns sentimentos humanos, unilaterais e solitários como os amores não correspondidos. Como aquele homem que só enxerga na mulher um ser desprovido de graça e sensualidade, sem atrativos femininos, se é que me entendem?
E ela, pobre moça, sem desistir da causa, tenta e tenta, em vão, sentir um sopro que seja e que a faça continuar no intento de sua conquista. Inventiva, faz de tudo para chamar atenção para sua beleza incomum e clássica, aquela imperceptível aos olhos distraídos e insensíveis.
Contudo, esse mundo de aparências e cliques, não permite que a conquista seja concretizada. Se ela não possuir uma autoestima que a mantenha no salto, poderá acabar seus dias frustrada, pois, mesmo sabendo de seus atributos e das armas que possui para conquistar o ser amado, não encaixa-se na frivolidade a qual ele se submete. E este, cego pela efemeridade das coisas, isso mesmo, coisas, porque esse também é o mundo da coisificação; perderá a chance de conhecer e deliciar-se com os prazeres que essa mulher, tão especial, tem a lhe mostrar.
Quantas pessoas já se sentiram assim quando não são correspondidas em suas paixões, aqui representadas em uma relação amorosa? Só que, as frustrações acontecem em todos os níveis e em todas as relações. Sempre que uma das partes não for correspondida, haverá sofrimento.
Essa crônica é uma tentativa extrema de querer chamar atenção desse homem cego, por que não dizer?, burro até, pois esquiva-se de conhecer um mundo onde o conhecimento não é fugaz, a beleza é relativa e as pessoas não são descartáveis.
Um dia, esse ser que ama, irá se cansar desse jogo de sedução, verá que todo o charme lançado a um homem impassível e inerte deverá mudar de direção e procurará, em outros braços, todo amor que lhe foi negado. Assim é a vida, e é assim o fim para os desencontros.
Porém, antes que tudo isso acabe em poeira e perda de tempo, a autora dessa triste crônica lança mão desse veículo como um último suspiro que seja, uma última tentativa de chamar atenção, e faz uso de todo seu talento adquirido em seu curso de Letras, em sua experiência profissional e em sua intimidade com a escrita para chamar a atenção da criatura a ser conquistada e dizer: “Entreguem logo a p.... da crônica que vocês tiveram mais de um mês pra fazer!”.
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